Na última chamada realizada, dia e horas bem matutinos ainda, que em minha fotografia pra ti se estamparia este fato, foi assim que terminou, terminou no último sorriso que imaginei teu descrito no imenso grão de areia, ou no teu queixo quadriculado em meus adornos corporais mais singelos, era um amor assim, convexo e terreno, por mais que tuas aplicações de LSD melhorasse mais nossas alucinações, éramos ainda hortos a florescer, leguminosas, árvores, ouvíamos Gal a noite, e de dia nos escondíamos debaixo dos cobertores no sol de Belém, eram as tortas mais deliciosas o teu corpo fatiado em mil pedaços e servidos lentamente por atendentes do Império Björkiano, eram todas essas coisas que nos compunham, uma música desconhecida sem tradução, e em um amanhecer como este de agora que vejo como o muro que construíram aqui na frente de casa me impossibilita de olhar pro céu, de bater uma foto similar aquela da última vez, de pensar em ti como uma torta de manga. Enfim, o tormento acabou, a parede laranja sem acrílico destaca a ambiguidade de um lugar colorido pela solidão sem ti. Podre e escrupuloso és tu vagando pela cidade como se nada existisse, prefiro ficar só com a parede laranja, ela me faz feliz e quando enjoar, passo uma branca por cima, mas nunca derrubar o muro, pois lembrar das manhãs acordando a escuridão não pode ser mais, não mais.
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