segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Tiracolo.

Tudo começou no aniversário descontraído na beira da calçada, logo depois milhões de ligações não atendidas e de repente uma ligação com retorno e tudo degringolou, foi tanta felicidade no início pra compensar as carregadas doses de descontentamento amargo que estavam por vim no término, junto ao término vieram umas músicas apáticas daquela banda carioca de homens barbudos, com um bando de desgosto nacional, acompanhado de uma boa amizade pra ajudar a curar esse prévio passa-tempo que logo se encarregou de se tornar o desatino da vida, esse passa-tempo que agora era a resposta dos por quês e todo o sentido de uma pequena vida. Mas recordar mesmo esse tiracolo, é quando digo sobre aquela tarde em que precisava logo sair do teu quarto e pegar o ônibus, havia aula, e nunca eu fui o tipo de rapaz que falta os compromissos e desonra as atividades que os pais lhe oferecem. Bom, naquela tarde foi diferente, a natureza logo enviou uma chuva torrencial que me impossibilitaria de te deixar, de ficar só com tua saliva pelo canto dos dentes, não, fiquei, e logo nossos corpos se prepararam para ficar um tempo a mais juntos no desespero que a chuva nunca parasse, tu eras uma garota exuberante, com aqueles olhos similarmente acentuados por uma prega que os elevava até o céu, de uma forma sutil, como se por cima e ao redor dos teus olhos as nuvens tomassem banho, eras aquela mulher com voz de Nara Leão adormecida por um amor, teus cabelos eram ervas secas e tentadoras, articulações de engate para o que era meu ficar louco. Eras uma espécie de mulher que desvirgina a madrugada como cantaria Bethânia, eras aquelas inspirações poéticas de Vinícius e as puras ondas sonaras de T. Jobim, uma mistura de Luiza e Monólogo de Orfeu, era tudo isso e um pouco mais do que não dava pra caber naquele amor, por trinta dias e mais umas manhãs desacordadas no teu sorriso, eras mulher, eu era o menino, eu era o pobre Manoel de Barros, brincando de poesia eu errei, tu eras a mulher e eu te quebrei com meus poemas inocentes, foi sem querer, mas acabei te cortando, agora és uma Mariazinha da padaria e eu me tornei o alto grau do amor. O que é pior? Esse nosso desencontro maduro na vida que mais parece o caso de Benjamin Button, minha evolução ou tua involução? Acho que é ainda te amar, La Belle Personne.

Assinado por Odan Issa.

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