Varri a noite hoje. Hoje que já quase acabando vai, mas ainda é hoje pra mim, pra muitos é o começo de um novo dia, mas pra mim é hoje, e será amanhã também.
Hoje de noite, me atormentou o úmido lençol que manchava minhas costas de suor. Hoje varri meus olhos, enxuguei as costas e pus um par de meias cinzas. Quando elas ficaram molhadas, tirei-as, despi-me das meias. De mim costurei pensamentos quando sentei naquele assento e descobri a cidade escura ainda, quase desabrochando o amanhecer. Pensei na beleza da noite, pensei no meu querer de ter um quarto com feição de noite, pra amar a vida mais do que o normal. Quero um quarto com feições tristes e noturnas para divagar durante o dia na farsa descarada evidenciada pelas frestas da porta, por debaixo da porta onde entrará a luz do dia. Mas irei pensar nisso tudo, será minha projeção da noite, a felicidade entrando pela mentira oculta na minha cabeça.
Mas serei só noites durante todo o dia, e meu sono virá. Virá assim pra fazer-me descobrir que não era insônia, era só medo do escuro e paixão pela noite, controverso, mas contra o verso caminha o poeta nas rimas incertas. E poetas quase já não existem mais...
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