Um dia desses estava feliz, ia sair, abri o guarda roupa e procurei por algo alegre, feliz, ou normalmente típico, não achei, só via salmão amarelado, azul desbotado, vermelho enferrujado, branco velho e jeans mal lavado, o máximo que achei foi uma camisa vermelha que tinha ganhado de uma tia, era normal, peculiar com umas listras brancas que destacavam sua vivacidade, era polo, comportada e milimetrada no corpo de um rapaz acorpado. Me desfiz daquela polo, fui até o lixo, joguei ela na máquina incineradora que é meu lixeiro e voltei pra porta do guarda roupa, chegando lá, minhas camisas via brechó me acenaram com um dessorriso e fui logo me jogando pra dentro dos panos, me enrolando, me embolotando no meio do mofo, do musgo das camisas, é assim que sou feliz, na tristeza dos meus retalhos.
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