terça-feira, 4 de setembro de 2012

Desperdício.

Minhas mãos voam dentre essa atmosfera libertadora, danço na escola feito Ian Curtis, todos riem, depois volto pra casa, embora seja triste e feliz, triste por voltar sem música, feliz duas vezes, a primeira por ter um lua de candelabro hipnotizante, e a segunda por lembrar que posso cantarolar músicas antigas enquanto ando por ai sem fones, e isso me deixa bem. Volto lá da escola, meio cambaleante, bêbado de refrigerante barato, rindo de uma boa tarde, sentindo o corpo pedir por banho e os dentes por um flúor descente. A cama me chama, os lençóis estão limpos, acabaram de trocá-los, então chego, com aquela roupa suja, imunda de bolo e felicidade, chocolate na bochecha que eu carrego sem nem mesmo perceber, isso me faz bem, dominar a arte da desarticulação e da mímica, como é bom falar no pé do ouvido aquele segredo íntimo que pode ser revelado à qualquer hora, sentir esse frio na barriga, lavar o umbigo no banho, sentar ao lado do bebedouro, esperar a aula terminar lá fora, do corredor vejo o sol atrapalhando as aulas, raios entrando sem permissão nas salas. Pensando assim a vida até parece boa. Então eu até deva pensar assim.

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