Conheço pelos filmes antigos que me apego a ver uma geração que corria por Paris em busca de aventura, conheço por lá uns rapazes que fingem uma doença qualquer pra curtir a vida como se amanhã não houvesse, assim como crianças em busca de tempos desfrutados com amizade pelos terrenos baldios da cidade. E quando desfoco o olhar da tevê e olha pra mim, vejo uma geração tomada pelas grades, paredes, compromissos, deveres de casa, preocupação com a aparência e mais um milhão de coisas - pra mim - inúteis, queria poder pegar a bicicleta e poder sair pedalando, sem que minha família passasse o dia todo atrás de mim, ou que pensassem que poderiam receber uma notícia pior do que a outra à qualquer hora. A sensação de prisão em que vivemos, longe de toda a natureza dos interiores nos faz viver sempre pensando no perigo do próximo passo, do próximo atingido. Minha geração é tão infeliz, que é capaz negar prato de comida e pagar milhões para envaidecer o sucesso de um super star, acho realmente desprezível essa ironia que a nossa vida comunitária. O mundo tá tão deteriorado, que o sorriso da criança é comprado pra nova propaganda do novo super hiper mercado da cidade, um sorriso comprado, a geração se vendeu. A culpa é nossa? Não sei o que nos aconteceu, as vezes penso em fugir dessa cidade, procurar abrigo nas flores de um jardim botânico, ou me encolher nas pedras do arpoador, me fincar no espaço que divide uma pedra branca e outra preta na calçada de Copacabana, vender frutas no porto da Bahia, mas assim ter uma vida, sofrida, mas vida, precisamos de verba, mas antes de tudo, precisamos de verbo. Minha geração vendeu-se por completo, sua alma, seu voto, sua voz, seu brilho. O computador enaltece o apagado enxame de luz que em nós há. Então, nos livros que li e dos filmes que vi, me sobra a agoniante vontade de voltar pro passado que não vivi.
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