A gente tentava tapar o sol com a peneira, a gente pedia ajuda as forças maiores, a gente não fazia nada disso valer a pena, a gente nunca imaginou que um dia uma situação dessas iria acontecer conosco, mesmo vendo prédios caindo, pessoas caídas, nunca imaginamos, nem sonhamos, nem por mediunidade alguém veio nos avisar, mas ela se foi atrás do seu amor, ela se foi pra longe do palco, enquanto as bailarinas caiam sobre o trampo farrapado do chão do teatro, suas saias rasgavam e ela corria, dobrava as esquinas e corria atrás do seu pequeno sonho de caixa mágica. Sem fadas ou fundamentos, ela corria sem medo, disparava sua coragem em busca do seu príncipe de pé torto, era fadada de louca, insana, mas essas palavras ficavam no solado da simpatia de bailarina que ela possuía, era fomentada de amor, era encantadoramente louca, e continuava a empurrar imundos pelas ruas ensanguentadas de água descaída, então ela contornava os corpos que entrelaçavam-se nas calçadas da cidade escura, e então quando estava tão próxima da estação, percebeu no céu uma explosão, era seu amor voando em um foguete, que mais parecia um disco voador, seria ele um ovni ou um astronauta? Isso não lhe importava, era dele seu amor, de laços rosas e sorrisos cantados, e ao perceber que perdia seu amor, seu desespero foi tão grande que desamarrou balões no cachorro quente e voou ao céu, ninguém havia nos contado como ela era destrambelhada das ideias, e ainda sim ela seria fadada novamente de insana, mas o que lhe podia ser pior do que evitar um amor incrível oprimido pela distância? Então ela chegou com 57 dias de atraso no país da rosa, e mais uns dias de atraso pela lei do tempo que envolve o universo segundo a física, mas ainda assim ela chegou, e para seu bem saber, sua viagem não havia terminado, bastava-lhe ainda chegar ao outro lado do palco do mundo para conhecer seu amor, ele havia comprado um bilhete de última classe à lua. Tão loucos eram, tão louca ela ainda mais, mas quem dirá que eles não serão felizes?
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