quarta-feira, 7 de novembro de 2012

QUE será ele?

Terminei com a Pessoa que vivia comigo. Ela sentava na minha bacia, balançava, batia, roçava. Então como no fim do Verão ela se foi, igual à 500 days of Summer, foi-se hoje, logo no começo da madrugada, abandonou-me com últimas palavras analfabéticas. Tanto o que mais me lembra, foram todas as páginas que viramos, foi a chuva que pegamos ainda hoje, fiquei com medo de te molhar e encolheres, arrancaste nessas manhãs de mim tantas gargalhadas, roubaste-me sombreamentos e expressões repetitivas, era sempre um sabor novo no misto dos teus segredos, como foi bom o tempo que passei contigo, embora saiba que és a personificação de um pedaço de alguém, sei que tu Campos, é tão Pessoa quanto Pessoa, e que és mais que belo nos desvios padrões. Bom, vivo-te a partir de agora empanado e frito no óleo da nostalgia, serás uma boa lembrança, uma intensa recordação de sutis desejos meus de falar o que não conseguia e ver em ti, a fala dita, o verbo encarnado pelas tuas palavras que metamorfoseavam-se em pessoas, de porrudas mãos à bofetear os cílios meus, não o deixavam piscar meus olhos nem sequer por um instante. Instantaneamente Pessoa virou Fe-Rn-(an)-Dó, em minha mente, virou-se agora Ferro e Rádon, com um infixo e uma nota musical respectivamente. Agora esse é Fernando, só por mais alguns segundos, até chegar o ponto final desse vômito.

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