Enquanto voltava da escola, ia caminhando pela ruazinha de pedregulhos, por onde sempre passo, aqueles passos pequenos fazem da ruela a imensidão da minha imaginação, que vai de vento e poupa, voa e eleva, transcende minhas expectativas. Nessa hora vejo quem sou, só me conheço, só, me conheço mais, por pouco tempo exílio-lho me na viela, condenado a respirar pensamentos da imensidão que se retrai quando retalho-me em um ser social. Pouca parte de mim é social, a maior parte quer estar só, e amar-se na sua própria solidão. Talvez o que eu escreva agora possa ofender à alguns, que à isso não lerão, de qualquer forma anuncio. Queria amigos que pudesse ser quem sou, pois quem pareço ser me entorpece de frustrações, e quando sou quem sou, com falas desgastadas, pedaços de poemas de balcão, triturado pela dor inexistente, multifacetado pela constante aceleração da mudança, talvez um só de todos tantos que são vocês, pareço alienado. Sobre outra coisa gostaria de comentar, sou tão incrédulo aos dogmas da sociedade, embora muitas vezes tenha que concordar à eles minha opinião relativa. Para julgar precisa-se pôr-se de fora, fora de casa, fora de área, fora de vista. Pôr-se em vista alguma, como se fosse invisível, inerente ao tato, deslizável, inconstante. Queria eu poder pertencer ao mundo humano, ser aceitável e estúpido tanto quanto eles, meu problema é que sou tanto mais estúpido e tanto mais humano, muito mais perdido, sem destino, sem certezas.
Costumo achar engraçado que eu não ache bonitas as tuas palavras de dicionário.
ResponderExcluirAinda bem que não é de todo, às vezes eu gosto, como gostei da coisa que fala de beliche, simplesmente porque posso ver a palavra beliche saindo da tua boca. Tem também quem goste dessa coisa Aurélio, e isso deve te deixar um pouco feliz. Agora para acabar minha participação especial nos comentários, meus comentários que nada valem, não para o bem, enfim, queria que tu falasses mais realidades, como eu escrevi do lado da minha cama.