Era uma vez, um camundongo de quadris 5 centímetros e fuço de 2 centímetros, isso não importa tanto, afinal ele é um camundongo, um macho, um homem solitário, procurando qualquer parceira em um país devastado, sem muitos sobreviventes...
Esse camundongo era cheio de ideologias e visões para enxergar a vida, essas se baseavam na sua vertigem religiosa. Era espírita, e como um adepto à Kardec, acreditava e seguia piamente a ideologia de sua religião...
Mas sem o amparo de uma parceira, para compartilhar umas migalhas encontradas pelos esgotos da cidade, ele resolveu abrir-se a novos amores, e pôs na boca de cada boeiro um anúncio, onde dizia encontrar-se na Praça do Carmo em frente a barraca do churros comendo as migalhas pelo chão, se alguém se interessasse, que o procura-se. Foi então que começou sua vida a se tornar várias reencarnações, uma após outra...
Primeiro encontrou dona Flor, uma elefanta que o amava incondicionalmente, e aos prantos proclamava todos os reatamentos do casal, foi em uma dessas pedidas as pés, que pôs o seu pé em cima do pobre camundongo, e este se foi a outro mundo...
Foi então que ao reencarnar no corpo de outra pessoa, mas ainda com o mesmo objetivo de sua vida anterior, continuou procurando por outra parceira, dessa vez encontrou Heyria, era uma moça bonita, com vestidos de bolinha vermelhas, era meio obscura, mais muito contida, minuciosa em seus passos, Heyria conquistou o coração do camundongo, que ao se apaixonar pela pequena joaninha disse-a que viveriam um belo caso de amor, foi em uma noite de amor, que o camundongo, aos beijos e carícias foi surpreso por uma enxurrada no esgoto que levou a joaninha embora, e esses nunca mais se viram, por mais que o seu camundongo tenha a procurado por todos os cantos das tubulações, até em algumas praças da cidade, não a encontrou, dessa vez, não foi acidente, seu camundongo morreu de desgosto. E como ainda não havia cumprido sua missão na terra, retornou...
Novamente ao recanto dos perdidos, procurou por outra parceira, dessa vez, quem encontrou seu coração com um par de flechas que se cruzam foi dona Teresa, uma moça do interior que o embebedava de leite, gozavam do sol e da brisa da lagoa, a vaca jamais imaginou como seria difícil pro camundongo viver naquelas condições, longe da cidade, sem seus apegos urbanos, seus costumes, e dessa vez, como o amor não foi tão grande, não manteve o casal junto por muito tempo, e dessa vez, o camundongo morreu voltando pra cidade, enquanto tentava pegar atalho por algumas casas e uma senhora cheia lhe acertou com uma vassoura e logo depois o estraçalhou com uma faça...
Dessa vez, ele jurou voltar sem apelos, apegações ou mal feitos, seria um homem que dedicaria sua vida ao amor, um homem digno, não só um pobre rato, afinal ele era um camundongo! Então ele conheceu Carlotta, com dois "t" como foi escrito, era uma menina mimada que dizia que camundongo seria sua vida, somente ele e ela na sacada de seu dona, ela uma águia forte, carregava seu amor para direto para as melhores visões da cidade, contemplavam o sol e a brisa, assim como com sua ex namorada, dona Teresa, embora dessa vez não precisasse se afastar dos aperitivos da cidade, de quem tanto era apegado, mas isso já nem importava tanto mesmo. Dessa vez, o acidente lhe açoitou novamente, por um descuido de seu amor, caiu do sétimo andar, ninguém percebeu, tão pouco Carlotta que na outra semana já havia descoberto um outro amor eterno...
Ficou magoado, mas insistente que era, voltou em busca de amor, e dessa vez, não procuraria só se entregar, mas procurar alguém entregue, então na noite de 19 de outubro encontrou Dona Ana na portaria do parque, as luzes clareavam seus olhos dourados, ela não era uma "camundonga", tão pouco um ser cheio de ânsias ou egoísmo, era Ana, uma cadela silenciosa, e que embora não parecesse, era feliz, procurava nos olhares alheios o conforto que não tinha, era uma vira lata, mas seu coração valia muito mais que todas aquelas torpes paixões, não era pura, tão pouco inocente, mas sim, havia se arrependido e procurava alguém que pudesse colocar sua pá no lugar e uivar uns gemidos pra que dormisse, só queria carinho, o camundongo por coincidência também procurava a mesma coisa, foi então que os olhos do camundongo brilharam tão intensamente quando os de Dona Ana, ficaram tão dourados quanto, ele logo percebeu que teria mais 3 vidas, sendo ele com espírito de gato que lhe dava o direito de 7 vidas, percebeu que se morresse um dia, teria mais 2 vidas, e isso daria pra aproveitar bem o tempo que pretendia ficar ao lado da cadela. Então, ele se suicidou duas vezes, na terceira se suicidou junto com Dona Ana, e fizeram um empréstimo consignado de casa própria no céu, hoje eles tem 7 filhos e sorriem como se nunca tivessem sofrido.
Primeiro conto infantil proibido para menores de 18 anos.
"mais muito contida", meu deeeus, tu errou masmaissss e tão pouco é tampouco.
ResponderExcluire porra, tá ótimo esse. sério, demorei demais pra ler, me desculpa. mas tá mudando, eu costumava achar tudo ruim aqui, tou achando tudo ótimo, que coisa boa!