[o COMEÇO tá HORRÍVEL]É uma longe história. Geralmente me sinto vivendo em nada, quando estou contigo, é só um sentimento bonzinho que ronda meu peito. Antes de tu ires embora, tá tudo normal, da forma que estou acostumado a viver. Depois que tu fostes, o que sobrou foi o teu lugar, sem ninguém pra sentar do lado, sem ninguém pra cutucar as feridas, sem ninguém pra tomar as decisões de voltar logo pra casa ou ficar mais um bocadão pra nos enaltecer de qualquer noite. Custo em dizer, acho difícil, as palavras são espinhosas demais pra saírem por essa garganta seca, mas aquela história de tanto tempo sem ti me assusta, eu sei, rio de ti quando choras, rio de mim quando me sinto amargurado, rio de desespero menina, não é nada além disso. E como dissestes: não nos encaixamos, embora nesse mesmo tempo me ocorra de seres a única parte que encaixa em mim, à sua maneira mais desencaixada, deslocada, desarrumada, desmembrada com meus braços, tuas pernas, minha barriga, teu queixo, meu cabelo ruim, nossos dentes desajustados, se nos juntássemos, seríamos tipo Frankenstein, um monstro que vive em seu calabouço, muito abaixo da superfície, que se transveste de ser humano e vaga pelos cinemas da cidade. Queria poder te telefonar, mas acho que só vou tomar um chá de ignorância humana e me manter no meu lugar.

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