"Não sei se os teus pés sucumbiram aos cacos de vidro que é àquela cama, espero que tuas costas não rasguem até que eu chegue, as plantas estão no varal, elas já estavam cheias de tanta água, por isso resolvi colocá-las para secar lá fora, então, aproveita pra fazer um favor, abre a janela, varre a casa e põe um disco pra tocar, um daqueles melhores que a gente ouvia. Pra que quando as pétalas despenquem, nossas cabeças estejam mórbidas em algum motivo escondido em nossos corações, procurando um átomo de vida. Embora saiba que elas provavelmente morrerão afogadas nas mágoas, espero que vivam o quanto puderem, é querida, o buquê cedeu à nossos contratempos, não precisamos mais nos manter, nos esfacelaremos, não existirá mais nós, só seremos fotos queimadas e um passado preso na condição do futuro. Ah, e por favor, não se esqueça dos remédios e da carta, assim poderei te guardar para os momentos a frente, te retirarei daquela caixa quando precisar, mas é sério, porque eu sei que o mar me consolará, não terá os braços, nem os abraços, terei cartas e sonhos, utópicos ou não, serão sonhos e me manterão vivo, e lembre-se de se preocupar com as palavras, elas se tornarão o que tu serás pra mim. Antes de qualquer coisa, deixe o café sobre a mesa, fui à padaria comprar alguns suspiros, e logo estarei retornando, logo em breve, e não quero mais te encontrar por aqui, não é raiva, por mais que pareça, só não quero sofrer mais do que já sofri. Te chorarei, por mais que evite, tu és um punhado que me atravessa, é um flecha que me acerta."

''...o buquê cedeu à nossos contratempos, não precisamos mais nos manter, nos esfacelaremos, não existirá mais nós, só seremos fotos queimadas e um passado preso na condição do futuro.''
ResponderExcluirMeu Deus, me perfurei inteira aqui.
Lindo isso Lucas, é como se virar do avesso.
Em outras palavras "é como se virar do avesso" mesmo.
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