Não me lembrava como era bom aquela dor gélida de uma noite chuvosa ao vento na pele, e como é bom. E este nem foi rigoroso, não foi perpétuo, era somente uma noite cansada de seus desabafos após o pôr do sol. A noite hoje foi bonita, andar pela cidade naquela bicicleta velha, sumindo e aparecendo a cada poste, me confundido aos vultos, sobre subsequentes gotas, minha calça enrolada até acima das panturrilhas e minha camisa cinza já estavam ensopadas, e eu ia, cantando aquela bela canção. Era só uma noite, mas nada como apenas uma noite, era monstruosamente bonita, o silêncio, a chuva, a lama, aquela bicicleta velha relinchando pelas ruas de volta pra casa.

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