quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sol havia.


Sol havia, tinha também a sua beleza, mas ele não nos banhava. Não nos mostrava nossos cabelos voadores, muito menos a nossa pele seca e nem nossas mentiras escondidas atrás de nós. Ele era bonito, estava pra se pôr deixando tudo um pouco laranjado quando eu voltava pra casa esperando te ver, mas ele não me expandia teu horizonte, não me explicava teus segredos, não se compunha de compaixão por nós. Ele só exercia sua função, monótono e estereótipo era tudo o que ele sabia ser. Então ele só fazia sua parte e nós nos escondíamos, como quem não quer se queimar, ele era gigante, tomava conta do calor, retinha os nossos métodos, todos viam, ele banhava o céu de manhã até de tardinha, logo depois ele sumia e todos poderiam andar livremente na escuridão com os seus desejos, cigarros e pecados, cometer o suicídio para que ninguém visse, as pessoas tem medo do escuro e acham que se fizerem algo errado nele, ninguém poderá ver como elas. Mas é tudo infantilidade, que se perde depois dos dezoito e continua retida em nós boa parte até.

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